Hoje a Sirene Toca... - Mas Sem Chamar Ninguém...

Hoje a sirene toca, mas não há alerta.
Não há críticas construtivas, não há sequer uma bicada ou outra a este e aquele.
Hoje a sirene toca porque perdemos MAIS UM. Neste caso, mais uma.
Toca e chora. Porque mais uma vez, uma Farda Vermelha foi vestida pela última vez. Um capacete colocado, umas botas calçadas, um lance de mangueira ombreado, um "é só mais um bocadinho" berrado, um "estamos quase a agarrá-lo" e um "em breve estou em casa" pensado.
Pela última vez.
24 anos. Uma vida inteira para viver, uma carreira de Bombeiro pela frente, uma evolução ainda para ter, tantas e tantas aprendizagens, convivências e momentos únicos por passar. Tudo adiado sem remarcação à vista.
Um encontro imediato com a Mãe Natureza e a sua inegualável força, uma consequência da criminosa mão humana, que caiu numa Humana inocente sem culpa nenhuma que estava a dar o melhor de si, dos seus, pelo bem-estar de "Todos, todos, todos".
Isto não pode ser assim. Isto não devia ser assim.
Muitos não a conhecemos, não sabemos até quem é como Pessoa. Mas só por envergar a mesma farda que nós, choramos a sua perda como se nossa Família fosse. Porque o é.
Fez valer aquele lema que ultimamente guardamos no coração e já não lemos em lado nenhum, porque "Vida por Vida" é feio, é duro, "parece que vamos para a guerra". E vamos. Sem saber se voltamos, sem saber muito bem até que armas temos contra o inimigo, ou qual a sua força, o seu destino.
Na hora da partida, aparecem os pesares. Os apertos de mão, os abraços, as condolências e os reconhecimentos. As palavras de luto, de força e de valorização...
E quando estamos cá? E "depois do adeus"?
Disse que não ia haver críticas. Menti, desculpem. Esta revolta não me permite.
Vamos continuar a ir para o meio do nada? Para o meio do mato, para salvar... Mato?
Para quando a mudança radical para o combate indireto como regra, o fogo tático como agulheta, a prevenção como função, a interface urbana-rural como prioridade?
Entregar o seu a seu dono. A Floresta, a quem dela cuida todo o ano. A Urbe, a nós que tão bem a conhecemos.
Já chega destas coisas.

Um soldado caído já é um a mais.

Toca a Sirene! Pela Maria João, e por "todos,todos,todos".

Descansa em Paz.

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