GESTÃO DE ESFORÇO, OU COLAPSO IMINENTE? - Como silenciosamente o DECIR está a colapsar sem que o Cidadão se aperceba
Ora estamos de volta! Como agora com as novas tecnologias as sirenes estão a ficar escassas, achei melhor vir aqui tocar a sirene a ver se isto abana...
Então que tal esse DECIR? Arde tudo por todo o lado, e no momento destas linhas, praticamente todo o Norte acima de Aveiro (pois, é precisamente o Norte do País, seu burro), está com ocorrências e algumas de grande envergadura como Ponte de Lima, Torre de Moncorvo, Boticas, Oliveira de Azeméis ou Marco de Canaveses.
Então, é aqui que hoje vamos tocar a sirene.
Todos sabemos que a gestão dos recursos humanos anda com problemas (a ANEPC que o diga, ahaha) mas será que estamos mesmo a olhar para o problema com olhos de ver, ou mais uma vez estamos a confiar na vontade e capacidade sobrehumana (sim, sublinhei de propósito, estou generoso hoje, elogios para todos!!) dos Operacionais no terreno (não apenas os Bombeiros) e como o costume, a confiar em Nª Sra. de Fátima e nos Pastorinhos que isto não quebre ou não haja tragédias como as de 2017?
É que, todos os dias se ouve um "silêncio ensurdecedor" (sim, eu sei que é paradoxo mas é assim, meus queridos) sobre os comentários pós ou durante a ocorrência, que "não havia gente para render" ou que "não houve gente para equipas de reforço", ou pior "que o meio foi desmobilizado por falta de autonomia do pessoal, pois não há rendição e a equipa tem gente que amanhã trabalha..." . E nessa altura, a ANEPC recorre aos "suspeitos do costume" para virem render o pessoal local: a zona do País com mais Bombeiros, que é Lisboa e Vale do Tejo, ou então a UEPS e FEPC, quando não estão já empenhados e no limite da sua capacidade de resposta...
Lá vêm eles, uns com experiência de floresta calejada com os anos anteriores (porque o plano é sempre o mesmo há 30 anos, vá), outros com pouco ou nada de experiência de monte, a "entrar a pés juntos" no mundo dos incêndios rurais e a correr inocentemente riscos que não deveriam, e que vão exigir deles um "desenrasca-te" que só a experiência dá.
Um Comandante que muito estimo e que infelizmente nos deixou este ano, dizia sempre "Um bom agulheta, demora 10, 15 anos a fazer-se, e se estiver bem guiado". Quem guia esta malta que vive incêndios rurais só 2 ou 3 meses ao ano, quando isto aperta?? E depois queremos bons operacionais, sem estofo, sem experiência, a fazer o que ninguém os ensinou? Desculpem, enervei-me... Mas não entendo...
Voltando ao assunto, lá vão os nossos amigos da Capital e arredores, outros do Sul para o Norte, ou vice-versa, rumo ao desconhecido, fazer centenas de quilómetros, horas e horas em veiculos desconfortáveis que não passam dos 80km/h, para chegarem ao TO exaustos, e renderem quem já está numa fase de "post mortem operacional" (que bem saiu esta, estou inspirado, ah?) porque está há horas, dias, semanas na mesma posição, porque engatou ECIN com ELAC, ELAC com GRIR, GRIR com EIP, EIP com ECIN e por aí fora. Seja porque AMA isto. Seja porque o dinheiro faz falta no fim do mês, e os putos vão começar a escola e os livros e o material tem de se comprar. Seja porque a casa tem de se pagar e o empréstimo está no limite do aceitável. Seja "só" porque a vontade de ajudar é enorme. Seja porque seja. Não interessa o porquê.... mas interessa.
Interessa porque esta malta, vem rumo a locais que não conhecem, com pouco ou nenhum conhecimento da área, do histórico de incêndios, do tipo de progressão que estas zonas têm, já cansados da viagem, e depois... acontecem acidentes. Porque os PCO estão completamente saturados também e nesses ainda menor é a rendição o que enfraquece a previsão e prevenção de riscos... Mas não só.
Interessa porque, estes Operacionais (muitos...) que renderam, são os que silenciosamente estão a colapsar. Porque são os que aparecem sempre, a TUDO.
São os que inflam os números de ANEPC, MAI e LBP nos Órgãos de Comunicação Social a dizer que "é o maior dispositivo de sempre" ano após ano, quando todos os anos também a estatística diz que temos cada vez menos Bombeiros.
Algo não bate certo.
Sou de letras e não de números, mas se até a mim me causa estranheza que me digam que o dispositivo é cada vez maior quando somos cada vez menos nisto...
Principalmente quando vejo as escalas de DECIR e vejo os mesmos nomes repetidamente escalados, dia após dia, turno após turno.
E, pior, paralelamente não vejo o contigente de Sapadores Florestais, FSBF, UEPS, FEPC a crescer no volume que compense esta perda, e sabendo que muitos deles contam para os dois lados, pois também são simultâneamente Bombeiros Voluntários.
Alguém quer perguntar isto á LBP? Da última vez que o fiz fui bloqueado nas redes sociais deles e agora não consigo avisar os moços... Se calhar toquei a sirene muito alto e ficaram surdos.
O ponto positivo, creio, é que temos finalmente um Ministro da Administração Interna que é um Operacional e não um mero político de secretária.
Alguém que sabe que não se fazem omoletes com ovos nem se apagam incêndios nos gabinetes. Espero, sinceramente, que isto esteja já na mesa dele para ser revisto, nem que isso passe por se gastar uns milhões valentes na reestruturação de TODA a estrutura da Proteção Civil (não é só a ANEPC que falo!). E não, amigos, não falo de profissionalizar todos os Bombeiros Voluntários, que isso é a maior ESTUPIDEZ que existe, e que vou abordar com calma no próximo post para ver se vos toco essas sirenes mentais de uma vez por todas.
A Proteção Civil somos TODOS nós. Convém relembrar uns quantos disso.
Epá, rebentou mais um no norte... Central, TOCA A SIRENE!



Comentários
Enviar um comentário